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Comunicação, contradições narrativas e desinformação em contextos contemporâneos

Nos anos finais desta década, todo um novo vocabulário passou a ocupar as ciências sociais aplicadas, bem como a sociologia, a ciência política, a antropologia, a história, a filosofia, as ciências jurídicas e da informação. Pós-verdade, fake news, notícias fraudulentas, desinformação, ciberdemocracia, são alguns dos termos que compõem esse novo léxico, o qual está estreitamente implicado com a nova arquitetura informacional proporcionada pelas redes sociais digitais. Vivemos cenários marcados pela radicalização política violenta, a contradição de narrativas, o discurso do ódio contra grupos minorizados, a desqualificação do discurso científico e as relações de poder imbricadas nesses processos comunicacionais que desafiam a própria a ciência, especialmente em um momento em que (paradoxalmente) se buscam respostas científicas para os problemas mais urgentes do nosso tempo. Nesse contexto contemporâneo agravado pela pandemia global de Covid-19, sem precedentes na história humana, se intensifica o debate sobre a responsabilidade das instituições públicas e privadas, além dos atores da sociedade civil organizada em relação à produção de conteúdo comunicacional e à qualidade da informação frente às reais necessidades e demandas de interesse coletivo.