Passados mais de cem anos, leitoras e leitores podem agora ter acesso aos capítulos e fragmentos com que Gonzaga Duque (1863-1911) arquitetava uma de suas obras mais anunciadas e sempre por terminar: seu romance libertário Sangravida, cujo título, poético, por ele inventado, já sugere a dimensão utópica e revolucionária de seu projeto. Os estudiosos da literatura moderna e brasileira terão aqui farto material de pesquisa e reflexão. Quanto aos amantes das tradições libertárias, há aqui também muito a escavar. Os quadros esboçados por Gonzaga Duque em Sangravida dialogam com as cenas de sua crítica de arte pioneira, além de seu romance Mocidade morta e seus contos em Horto de mágoas; para não falar dos resumos históricos de suas Revoluções brasileirasSangravida: uma entrada até aqui inédita por uma estrada inacabada, que se pode reconhecer muito bem – a modernidade.