O ciclo de protestos iniciado no Brasil em Junho de 2013 trouxe à cena pública o debate sobre movimentos sociais e ações coletivas. A perda da relevância dos sindicatos e partidos políticos na articulação e condução dos eventos chamou atenção de cidadãos e pesquisadores. Esta pesquisa endereça essa, e outras perguntas, partindo das disputas de sentido envolvendo os termos ‘militância’ e ‘ativismo’. Através de uma revisão narrativa de literatura sobre os sentidos da palavra militância nos artigos científicos publicados no Brasil entre 1980 e 2015, definiu-se o termo como metodologia para interferir/intervir nas normas sociais. Essa definição ressalta o que há de comum entre os fenômenos agrupados sob os dois termos e possibilita propor investigações sobre aquilo que há de diferente entre eles. Os conceitos de repertório, estratégia e instituição são sugeridos para escrutinar os sentidos presentes nas palavras. Esse último é usado para explicitar as relações entre mudanças macrossociais e a subjetividade de militantes e ativistas. A tese responde a seguinte questão: como as diretrizes que ancoram e organizam as estratégias militante e ativista modulam os processos de subjetivação de militantes e ativistas? A investigação foi realizada através dos seguintes procedimentos: a) estudo orientado das principais teorias sobre ação coletiva na literatura sociológica brasileira, europeia e norte-americana; b) proposição de modelo teórico para explorar as diferenças de sentido entre os termos; c) uso do modelo para investigar as diferenças nas metodologias e suas implicações subjetivas; d) apresentação, debate, validação e revisão dos resultados obtidos com grupos de especialistas em São Paulo, Nova Iorque e Toronto. A tese é composta por uma sessão de introdução, outra de conclusão, cinco ensaios teóricos. As conclusões indicam que diferentes estratégias criam distintos ambientes nos quais os sujeitos são socializados, sendo este um elemento crucial para explicar as diferenças nos modos de subjetivação. O ambiente militante tende a valorizar disciplina, centralização dos processos organizacionais e heteronomia, enquanto o ativista incentiva experimentação, horizontalidade e autonomia. Essas condições ambientais tendem a produzir em militantes uma moralidade severa, a qual, muitas vezes, produz comportamentos enrijecidos e até intolerantes, e em ativistas éticas relacionais, passíveis de mudança de acordo com os contextos locais e alinhada aos valores e modos de vida instáveis dos dias atuais. Os resultados obtidos até aqui contrariam a ideia de que a militância seria uma metodologia inferior ao ativismo. Associar a primeira com posições políticas exclusivamente à esquerda e última com posicionamentos à direita, também não é uma conclusão possível. Qualificar nosso entendimento sobre as metodologias usadas pelos movimentos sociais, e as consequências subjetivas delas decorrentes, é fundamental para compreender as formas de ação coletiva juvenis contemporâneas.

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14×21

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Autor

André Sales

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PROPG