O planisfério assinado em Antuérpia em 1559 pelo cartógrafo português André Homem não foi alvo de estudo aprofundado até este trabalho. As poucas informações tanto sobre sua confecção quanto sobre seu produtor demonstraram que as políticas de contestação francesas no Atlântico, que buscavam quebrar o monopólio comercial ibérico, foram o pano de fundo de sua produção. Nas dinâmicas de inteligência diplomáticas que pretendiam defender o interesse de suas cortes, André impõe-se como agente técnico cobiçado pelas coroas, uma figura multifacetada moldada por necessidades individuais. A prática de mapas mundi, que resultou na confecção de mapas náuticos ornamentados para figuras ligadas ao expansionismo marítimo em questão, teve origem na junção das técnicas dos portulanos do Mediterrâneo e a tradição cartográfica erudita dos mapas mundi medievais. Seu contexto de produção demonstrou a complexidade das dinâmicas entre cortes europeias e como estas modificaram a visualidade do oceano Atlântico, na medida em que influenciaram produtos cartográficos de agentes envolvidos, que utilizaram sua técnica para a construção de mapas que representavam o mundo.

 

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Aline dos Santos Franco de Camargo

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