Este estudo visa analisar as consoantes líquidas presentes em 250 poemas medievais. Buscou-se verificar se, no período arcaico, tais consoantes, em contexto intervocálico, apresentam um mesmo comportamento fonológico, ou seja, podem ser entendidas como geminadas. Elementos desse tipo compreendem um segmento que vale por dois, sendo que uma parte preenche a coda da sílaba anterior e a outra se situa no início da sílaba seguinte. A análise foi feita a partir dos modelos fonológicos não-lineares. A metodologia se baseou na verificação da possibilidade de variação na escrita dessas consoantes, visando averiguar o comportamento das líquidas duplas no ataque, na coda e entre vogais. A análise mostrou que, entre vogais, a lateral <ll/lh> apresenta o mesmo comportamento constatado para a rótica <rr>, isto é, pode ser tida como geminada. Em relação às outras posições, verificou-se que as róticas e laterais duplas não compreendem casos de geminação. Ademais, reconhecemos a existência de um único fonema rótico naquela fase da língua, o tepe, que, da perspectiva fonológica, possui duas variantes, uma simples e uma geminada. E, sobre a lateral, consideramos que, na Idade Média, diferentemente do que ocorre hoje no português, em que se realiza l de forma vocalizada em coda, esse segmento, possivelmente, era pronunciado de modo velarizado, realização recorrente, ainda hoje, no português europeu.






