“Uma gravura de luzes e sombras, dos fatos e dos símbolos e da mancha iluminada que se dilui no modelado de seus matizes sobre o papel impresso. Um registro sensível de considerações aos sentidos humanos mais recônditos, das alegrias e das melancolias e de todos os afetos que dão um sentido maior à nossa existência. Espécie de crônica de nossos presságios e de tudo aquilo que imaginamos que um dia nos espera. Antevisão do tempo que passa.

Ruth Sprung Tarasantchi nos relata o percurso de seu caminho, sua formação, o ambiente de casa favorável e propício à convivência com a obra de arte, a coleção, as visitas que fez aos museus e aos monumentos das cidades
por onde passou ou morou, desde Sarajevo, na antiga Iugoslávia, depois em Roma e São Paulo, onde se graduou em Artes Plásticas na Escola de Belas Artes e foi, durante muitos anos, orientada pelo mestre Massao Okinaka na arte do sumiê e do desenho oriental.

Lembra ainda que, certa vez, ao preparar o contrato de casamento de sua filha, a Ketubah, inspirou-se num manuscrito de 1200, Hagadá de Sarajevo, que lhe despertou grande interesse pela iluminura e pelos desenhos iluminados. Encontrando na gravura em metal seu meio de expressão por excelência e na experiência de sua vida
familiar o grande móbile de sua arte, Ruth criou com sua gravura um universo gráfico singular e muito distante
das imposições de uma ilustração literária de seus relatos. Com autonomia, converte suas histórias em desenhos puros e vigorosos, oriundos de um universo misterioso e fascinante por ela imaginado, no qual o fato e o símbolo se aproximam em harmonia, num clima de profunda cordialidade.

Muito além das qualidades gráficas e de linguagem aqui plenamente conquistadas e decorrentes de sua inegável competência no campo das artes visuais, suas gravuras nos surpreendem pela liberdade de invenção.” Evandro Carlos Jardim