Cultura Acadêmica

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10 de março de 2010
RELEASE

Historiadora analisa a organização indígena na América Andina
Ana Raquel Marques da Cunha Martins Portugal

Quando usamos a palavra ayllu, frequentemente, a associamos com algum
povoado ou território demarcado, entretanto, no século XVI, o ayllu
representava a forma de organização de uma população que vivia dispersa e
cuja identidade se dava pelos laços de parentesco de cada membro do grupo.
Em O ayllu andino nas crônicas quinhentistas, lançamento do selo Cultura
Acadêmica, a autora Ana Raquel Portugal busca compreender a estrutura
básica da organização indígena na América Andina desde o período pré-
hispânico até o começo da colonização espanhola.

Analisando crônicas quinhentistas, Portugal conclui que o mundo andino
deve ser analisado em dois momentos distintos e importantes, antes e
durante as instalações das reduções do vice-rei Toledo, que ocorreram
entre as décadas de 1560 e 1570. Inicialmente, o pré-hispânico era
composto por uma família extensa que formava um grupo local detentor ou
não de um território utilizado comunitariamente para subsistência de seus
integrantes. Com a chegada dos espanhóis, essa estrutura passou por
importantes modificações convertendo-se em território com a finalidade de
armazenar mão-de-obra.

O ayllu andino nas crônicas quinhentistas estuda a representação do ayllu
por meio de dados históricos e etnográficos encontrados nas crônicas
indígenas e espanholas do século XVI. A análise dos discursos de tais
cronistas mostra que essas mudanças ocorreram em função das práticas
culturais quinhentistas, em que o imaginário europeu se entrelaçou com o
andino gerando uma nova concepção para essa estrutura, que de sistema de
parentesco foi convertida em comunidade a serviço dos espanhóis.


Sobre a autora - Atualmente é chefe de Departamento do curso de História
da Unesp, câmpus de Franca, professora da graduação e pós-graduação, bem
como integrante do Conselho Diretor do Centro de Documentação e Apoio à
Pesquisa Histórica. Possui graduação em História pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (1990), mestrado em História pela
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1995) e doutorado em História pela
Universidade Federal Fluminense (2003). Tem experiência na área de
História, com ênfase em História da América, atuando principalmente nos
seguintes temas: povos indígenas, crônicas, jesuítas, religiosidade andina
e colonial, bruxaria, inquisição e extirpação de idolatrias.

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