Musicólogo resgata vida e obra do instrumentista Laurindo Almeida e seu papel como precursor da Bossa Nova

Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto foi um dos violonistas mais influentes do século XX, tanto no Brasil como no exterior. Mas o que o levou a não ocupar, até hoje, o seu devido lugar na historiografia da música brasileira? Movido por esta questão, o musicólogo Alexandre Francischini decidiu investigar a vida e obra do compositor, arranjador e violonista brasileiro. O resultado de sua pesquisa é agora contado em Laurindo Almeida: dos trilhos de Miracatu às trilhas em Hollywood, lançamento da Cultura Acadêmica. Logo nas primeiras páginas, o leitor embarca em uma narrativa pela trajetória do músico, desde o seu nascimento e infância, ao lado da via férrea, na pequena Miracatu, no litoral paulista, passando pelo Rio de Janeiro das décadas de 30 e 40, no auge da “Era do Rádio”, quando trabalhou ao lado de artistas como Carmem Miranda, Pixinguinha, Garoto, Radamés Gnattali e tantos outros, até sua emigração para os Estados Unidos, onde se tornou um dos músicos brasileiros de maior renome, atuando em aproximadamente oitocentas trilhas sonoras para filmes de Hollywood. Ainda em relação ao cinema, foi o primeiro e único brasileiro a ser premiado com o Oscar; também foi agraciado – entre 16 indicações – com cinco Grammys Awards; foi integrante de grupos da maior importância na história do jazz norte-americano, como a orquestra de Stan Kenton e o The Modern Jazz Quartet. Em seguida, Francischini aprofunda a análise sobre a polêmica entre musicólogos sobre a importância de Laurindo Almeida na gênese da concepção musical da Bossa Nova. E por fim, analisa seis composições lançadas entre 1939 e 1959, para verificar a contribuição de Laurindo Almeida à Bossa Nova, bem como os procedimentos musicais que imprimem a sua “identidade musical”. O trabalho de Francischini não só recupera a historiografia de um dos mais importantes instrumentistas brasileiros, como sistematiza informações inéditas ou desconhecidas no Brasil, como o fato Laurindo Almeida ter tocado em filmes como O poderoso chefão e Os dez mandamentos. Sobre o autor – Alexandre Francischini é bacharel em Música, com habilitação em instrumento (guitarra elétrica) pelo Centro Universitário das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Uni-Fiam/Faam). Mestre e doutorando em Música, em musicologia/etnomusicologia, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde atualmente também integra o grupo de pesquisa Música Étnica e Popular (Brasil/America Latina). Profissionalmente, atua como professor em escolas livres de música na capital de São Paulo, nas disciplinas instrumento (violão e guitarra), teoria musical e prática de conjunto.

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8 de novembro de 2017

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