Diante do sabor local de uma obra literária, seja manifesto por uma paisagem pitoresca, seja por um falar de acento marcante, todos nos sentimos um pouco como o forasteiro descrito por Jorge Luis Borges a quem esses dados “no le parecerán más pobres; serán más pobres” (Las dos maneras de traducir, 1926). Contra essa limitação resta-nos reconhecer o outro e sabê-lo discernir miudamente em sua excentricidade, prática que este livro instaura. Ao explorar a importância do tema da “identidade” nos Estudos Literários, mais diretamente na Literatura produzida nas Américas ao final do século XX, esta obra é uma resposta às recentes censuras que esse enfoque tem recebido de alguns estudiosos dos chamados Estudos Culturais. O interessado por literatura latino-americana lerá neste livro ensaios que corroboram a distinção de seus autores no cenário acadêmico atual. Não obstante as contribuições abrangerem pesquisadores de diferentes instituições e nações, a agudeza dos trabalhos coligidos transformam esta obra em uma referência bibliográfica relevante no debate sobre as manifestações literárias contemporâneas. “Literaturas: identidades” reafirma e confirma a validade e pujança das discussões identitárias no tratamento de “certas questões chave” não apenas vigentes como não esgotadas pela crítica.