O livro traz resultados de pesquisa nacional coordenada pela Rosa de Fátima Souza Chaloba, compreendendo estudo histórico sobre a formação e trabalho de professoras e professores primários rurais em 12 estados brasileiros (RO, MA, PI, PB, PE, SE, MT, MS, MG, RJ, SP, PR), entre as décadas de 1930 a 1970. Para tanto, autores e autoras compuseram seus textos a partir de quatro eixos: Balanço bibliográfico sobre a educação rural; Referenciais externos e circulação de modelos sobre a educação rural; A formação de professores rurais; Memórias e representações sobre a docência nas escolas primárias rurais. O balanço bibliográfico evidencia a produção sobre formação e trabalho de professores rurais nos anais do Congresso Brasileiro de História da Educação, de 2000 a 2017, em dissertações e teses, de 2001 a 2018 e em periódicos especializados, de 1997 a 2019, ao pontuar o avanço de pesquisas sobre o tema e ao identificar a necessidade de estudos verticalizados sobre o trabalho docente, permitindo captar temas em aberto e alargamento de questões teórico-metodológicas. Nos referenciais externos e circulação de modelos sobre a educação rural encontra-se o movimento pela ruralização do ensino em âmbito internacional pelas cartas a Sud Mennucci, entre 1930 e 1940, o Curso Normal Regional e a formação da professora primária rural, o Crefal e as experiências de Educação Fundamental no México e Brasil, de 1950 a 1960 e a educação rural delineada por organismos internacionais de cultura e suas repercussões no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Por esses temas, foi possível apreender a constituição de redes de sociabilidades, conectando e articulando sujeitos e ideias, entre organismos internacionais e brasileiros no que se refere à educação rural, em uma perspectiva liberal. A formação de professores rurais é tecida pelo exercício de comparação, trazendo aproximações e distanciamentos, especificidades e similaridades, de políticas e experiências de formação de professores/as primários/as rurais no Piauí e Mato Grosso, de 1940 a 1970, em Pernambuco e Paraná, de 1930 a 1960, na Paraíba, em Pernambuco e no Piauí, de 1930 a 1960. Os cursos para professores leigos, a criação de escolas normais rurais e de escolas normais regionais constituem marcas históricas da história da educação rural no Brasil, não no sentido de resolver o problema da educação primária rural, mas de notabilizar experiências históricas. Nas Memórias e representações sobre a docência nas escolas primárias rurais ressaltam-se a formação e a atuação docente no Brasil, tendo em vista o tempo de delimitação histórica da pesquisa, pelas memórias tecidas em teias que revelam atuações de trajetórias significativas de sujeitos de distintos lugares, traduzindo fazeres específicos, destoados e nada homogêneos. Portanto, a tessitura da História e memória da Educação Rural no Século XX se ocupou em trazer para dentro dos textos contribuições para o alargamento do campo sócio histórico da educação, tendo a sinalização da emergência da educação rural como objeto de investigação histórica como um deslocamento de perspectiva que redimensiona a história da escola e da profissão docente, colocando em destaque a construção de diferenças e desigualdades sociais, interrogando os processos educacionais peculiares vivenciados por um grande número de pessoas residentes nas áreas rurais. Nesta feitura, a tarefa de contribuir para o avanço do conhecimento histórico e para a preservação da memória e do patrimônio educativo é possível sentir em cada capítulo produzido.