Dramaturgia de Dea Loher na peça Inocência

A autora analisa o trabalho de Dea Loher, dramaturga nascida em 1964 e pertencente a uma geração de escritores alemães que se atribuíram a tarefa de dar prosseguimento ao teatro político nos moldes de Bertolt Brecht (1898-1956), embora com roupagens e conteúdos adaptados à contemporaneidade, com o uso intensivo de recursos da estética pós-dramática e técnicas cinematográficas do grupo dinamarquês Dogma-95.

Um interesse adicional do livro para o leitor brasileiro está em que Loher é muito ligada ao Brasil, onde esteve pela primeira vez nos anos 1990 e onde recolheu as referências para sua primeira peça, Olgas Raum, um monólogo sobre a militante judia Olga Benário, que foi esposa de Luiz Carlos Prestes. Nos anos 2000, a dramaturga volta ao Brasil e estabelece uma profícua parceria com o grupo paulistano Os Satyros, fundado por Ivan Cabral e Rodolfo Garcia Vázquez, para o qual escreveu e montou algumas peças no país.

Uma delas, Inocencia, analisada neste livro, é um dos melhores exemplos do chamado “teatro híbrido” cultivado pela dramaturga. Tida como a obra mais complexa de Loher, a peça mostra o mau estado das sociedades ocidentais através do destino de pessoas comuns que vivem nas cidades em busca de um sentido para a vida. Com 19 cenas escritas no formato de montagem, a peça é uma grande interrogação sobre o que aconteceu com os sonhos depois do fim das utopias, e um questionamento sobre a possibilidade ou não de se reverter o difuso sentimento de impotência que hoje tudo permeia.

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Júlia Mara Moscardini Miguel (Autor)

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